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Pedagogia da Ausência | Amosse Mucavele

Se para Achile Mbembe a morte aparece como um instrumento de controlo do poder, para Amosse Mucavele ela é uma ferramenta imprescindível na engenharia de construção psíquica por servir de alqueire que aloja a chama da existência rácio-sensitiva num tempo em que se assiste a ditadura da industrialização de tudo.

Jessemusse Cacinda, editor e jornalista

 

Amosse é poeta antenado, atento aos caminhos trilhados pela poesia contemporânea. E isso é muito importante. Seu diálogo com as vozes e as tendências da nova poesia é permanente. E esse diálogo se estende à poesia brasileira, talvez mais especificamente à poesia de poetas como Cláudio Willer e Cláudio Daniel, marcada pela presença de um surrealismo e de um neobarroquismo muito fortes. É uma poesia que se espraia, se dilata, tanto nos poemas em versos quanto nos em prosa poética. Se não estou equivocado, há também o diálogo com a poesia da segunda metade do século XX, ainda de feição surrealista.(…) Podemos dizer que há, nesse caso, a ligação consciente com a tradição, mais claramente com o que se chama de “a tradição do novo”. Tudo isso confere à poesia desse poeta moçambicano um caráter de estranhamento, que nos eleva acima da realidade cotidiana.

Geraldo Lima, Escritor e Professor de Literatura.

 

O livro Pedagogia de Ausência, do poeta Amosse Maculuve, se propõe a fazer esta reflexão e certamente o faz concordando com o também poeta César Leal quando diz que “o visto à luz do sonho se recusa a ser mudo.”

 

Trata-se de uma obra em duas (p)artes: Seminário sobre lugares e Migrações cujo título geral e subtítulos põem a nu, cataforicamente, a questão da memória. São também diferentes formas de experimentação de uma estilística poética. Se tentarrmos com o Mucavele ressignificar a palavra memória para deixá-la próxima à cara ideia de que em acções e em discurso, de modo atópicoe acrónimo, mnemosyne se trasmuda, o fio da história logo se impõe para inscrever a todos no campo do humano.

Virgínia Leal, Professora Titular de Linguística, atuando nos Programas de Pós-Graduação em Letras e em Direitos Humanos, ambos da UFPE.

Doutora em Semiótica e Linguística (USP/Université Paris X).

200.00 MT

Descrição

Se para Achile Mbembe a morte aparece como um instrumento de controlo do poder, para Amosse Mucavele ela é uma ferramenta imprescindível na engenharia de construção psíquica por servir de alqueire que aloja a chama da existência rácio-sensitiva num tempo em que se assiste a ditadura da industrialização de tudo.

Jessemusse Cacinda, editor e jornalista

 

Amosse é poeta antenado, atento aos caminhos trilhados pela poesia contemporânea. E isso é muito importante. Seu diálogo com as vozes e as tendências da nova poesia é permanente. E esse diálogo se estende à poesia brasileira, talvez mais especificamente à poesia de poetas como Cláudio Willer e Cláudio Daniel, marcada pela presença de um surrealismo e de um neobarroquismo muito fortes. É uma poesia que se espraia, se dilata, tanto nos poemas em versos quanto nos em prosa poética. Se não estou equivocado, há também o diálogo com a poesia da segunda metade do século XX, ainda de feição surrealista.(…) Podemos dizer que há, nesse caso, a ligação consciente com a tradição, mais claramente com o que se chama de “a tradição do novo”. Tudo isso confere à poesia desse poeta moçambicano um caráter de estranhamento, que nos eleva acima da realidade cotidiana.

Geraldo Lima, Escritor e Professor de Literatura.

 

O livro Pedagogia de Ausência, do poeta Amosse Maculuve, se propõe a fazer esta reflexão e certamente o faz concordando com o também poeta César Leal quando diz que “o visto à luz do sonho se recusa a ser mudo.”

 

Trata-se de uma obra em duas (p)artes: Seminário sobre lugares e Migrações cujo título geral e subtítulos põem a nu, cataforicamente, a questão da memória. São também diferentes formas de experimentação de uma estilística poética. Se tentarrmos com o Mucavele ressignificar a palavra memória para deixá-la próxima à cara ideia de que em acções e em discurso, de modo atópicoe acrónimo, mnemosyne se trasmuda, o fio da história logo se impõe para inscrever a todos no campo do humano.

Virgínia Leal, Professora Titular de Linguística, atuando nos Programas de Pós-Graduação em Letras e em Direitos Humanos, ambos da UFPE.

Doutora em Semiótica e Linguística (USP/Université Paris X).

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